Maior nome da modalidade também falou sobre seleção brasileira, tanto dentro como fora de campo.

Há muitos anos, as pessoas que fazem o futsal desejam que a modalidade se torne olímpica. Mas um dos “embaixadores” informais da causa, Falcão, tem poucas esperanças de que o objetivo se torne realidade. Para o maior nome do esporte, o futsal está muito longe de entrar nas Olimpíadas.

O ex-ala-esquerdo enxerga uma questão política difícil de ser superada entre a Fifa, que gere o futsal, e o Comitê Olímpico Internacional (COI), que organiza os jogos olímpicos. Na visão de Falcão, o principal impeditivo é de calendário, já que o Mundial do futsal acontece no mesmo ano da Olimpíada. Não há interesse político, segundo ele, de nenhum das partes de ceder.

“Para a Fifa não é interessante mudar a data (do Mundial), para o COI muito menos, então acredito que isso vai ficar em sonho, assim como é com o Beach Soccer (que também é regido pela Fifa)”, lamenta.

No próximo ano, haverá Olimpíadas, em Tóquio, e a Copa do Mundo de Futsal, na Lituânia.

Falcão descartou, por ora, a possibilidade de virar gestor no futsal — Foto: Divulgação

E a seleção?

Falcão, que parou de jogar em dezembro do ano passado, avalia positivamente a Seleção Brasileira que se prepara para a competição – mas ressaltou que não se pode deixar que o extra-quadra atrapalhe o desempenho, como, de acordo com ele, aconteceu no mundial de 2016.

Naquela edição, a última com participação do ala bicampeão mundial, o Brasil foi eliminado nos pênaltis pelo Irã, nas oitavas de final (a pior participação da seleção em Copas do Mundo).

– A gente continua forte. Cerca de 80% dos jogadores que vêm sendo convocados jogam na Europa, onde tem muita estrutura. E é seleção brasileira. Se os problemas externos não influenciarem internamente como foi em 2016, acredito que a seleção continuará sendo a favorita em todos os torneios que disputar – opinou.

Antes daquele torneio de 2016, o Brasil teve uma série de problemas – entre eles boicote de jogadores à Confederação Brasileira e várias trocas de técnico.

Na última Copa do Mundo, Brasil perdeu para o Irã nas oitavas de final — Foto: Getty Images/Fifa

Mudança de rumos

A respeito do que acontece fora de quadra, porém, Falcão é menos otimista. O ex-jogador vê o futsal em crise neste momento, sobretudo porque, desde sua aposentadoria, ainda não surgiu nenhum grande ídolo.

– Não teve mais jogo da Seleção na tevê aberta, não teve mais jogo da seleção no brasil. Geralmente, 99% dos jogos com a seleção eram no Brasil e, desde que eu parei, não teve mais, porque as cidades não se interessam mais, justamente pela falta de uma referência, de um ídolo. O futsal vai passar por um momento bem complicado. Sobre material humano, isso não muda. A gente tem uma grande seleção, vai continuar brigando por títulos, mas a confederação passa por um momento bem difícil de patrocínio, de falta de interesse – afirmou.

Para ele, a solução pode passar por uma mudança na gestão do futsal brasileiro. Segundo Falcão, há um movimento para que a modalidade passe a ser gerida pela CBF – não mais pela CBFS, o que ele considera positivo, desde que atenda algumas condições.

“Se tem um momento para que isso aconteça, que seja agora, ou o buraco vai ficar mais fundo. Neste momento, acho (positivo). Até porque nós somos o único país do mundo que tem um confederação separada. Desde que tenham gestores do futsal, ex-jogadores comandando e que entendam do futsal, acho positivo. Não acho positivo pegar e colocar um monte de gente que não entende do esporte.”

Neste momento, no entanto, o maior nome da modalidade não tem nos planos participar desse grupo.

– Fui procurado uns dois meses atrás, mas, dentro da minha rotina de vida, não faz parte dos meus planos agora. Claro que a seleção é esporádica, dá para fazer de vez em quando, mas, pelo menos nos próximos dois anos, é impossível.

Falcão sente falta de uma referência para o futsal brasileiro — Foto: Ricardo Artifon/CBFS

Fonte: Globo.com