Craque vê volta como uma possibilidade para daqui três ou quatro anos, mas ressalta que é preciso ter o convite da CBFS; ex-atleta também comenta o futuro da Seleção após se aposentar.

 

 

 

Aposentado das quadras desde o fim do ano passado, Falcão tem tido uma rotina agitada. O dia a dia do craque do futsal é dividido entre eventos dentro e fora do Brasil e jogos festivos. Por enquanto, a cabeça dele está focada em cumprir com esses compromissos. Mas, no futuro, cogita retornar à seleção brasileira de futsal. Não como atleta. Mas, sim, como técnico ou dirigente.

 

 

 

– Tem muita coisa minha acontecendo fora do Brasil, isso vem tomando bastante o meu tempo. Se eu fosse fazer alguma coisa, seria dentro da Seleção Brasileira, que é uma coisa mais esporádica. Mas claro, tem que ter abertura de lá, tem que ter o convite de lá, uma série de coisas. Nesses dois próximos anos, realmente eu não tenho tempo para nada, nem para pensar nisso. Mas a Seleção, no futuro, fazer parte de alguma forma, ou como treinador, ou como gestor, ou como diretor, isso faz parte dos meus planos, sim. A rotina de um clube já não caberia mais, então uma coisa esporádica como a Seleção seria uma coisa bacana daqui a três, quatro anos – disse Falcão durante evento de um patrocinador em São José dos Campos-SP.

 

 

 

 


Falcão é o maior artilheiro da história da Seleção, com 401 gols — Foto: Reprodução/Instagram

 

 

 

Em conversa com o Globoesporte.com, Falcão também comentou como vê o futuro da seleção brasileira após a aposentadoria dele, as chances da equipe no Mundial e a luta para colocar o futsal nas Olimpíadas. Confira abaixo:

 

 

 

 

Cabeça após aposentadoria

 

 

 

Totalmente tranquila, tanto que até estava falando com os meus escritórios para encerrar qualquer tipo de evento até dezembro, que eu não tenho mais nada para nada, e 50% dos eventos que eu faço é jogando. A rotina está bem cansativa, acima do que eu esperava, foi uma escolha minha. Então, sinceramente, se você me perguntar se eu sinto falta, não deu nem tempo de pensar nisso ainda até porque boa parte dos meus eventos é jogando, então a gente consegue suprir um pouquinho brincando de vez em quando.


Falcão vem curtindo aposentadoria com jogos festivos e eventos de patrocinadores — Foto: Pedro Henrique Elias / Globoesporte.com
Seleção sem Falcão

 

 

 

 

Em termos competitivos, isso não muda. O Brasil continua sendo muito forte. Mas a gente sabe que tem o lado de venda do esporte. Uma coisa é aquele público salonista que é um público habitual, que estava antes, durante e depois do Falcão, mas tem aquele público do domingo de manhã da TV aberta, quando as pessoas sentavam para ver o Falcão jogar. Pra mim isso sempre foi muito bom, sempre aproveitei bastante disso, mas para o esporte é um pouco preocupante. Será que a TV aberta vai ter a mesma ambição? Porque a gente sabia que tinha um produto que vendia. Estou falando do Falcão na terceira pessoa.

 

 

 

 

 


Falcão em ação na partida entre Brasil e Argentina, no ano passado — Foto: Ricardo Artifon/CBF

 

 

 

 

A gente espera que novos ídolos apareçam, que novas imagens apareçam, que esses meninos possam ficar no Brasil, o que eu acho que essa foi a minha grande diferença, de sempre estar aqui. Tinha jogo, eu estava, Seleção, também, então meu nome foi ficando marcado, ficando firmado. A gente vê bons nomes aparecendo e logo logo vão embora do Brasil, e aí já cai no esquecimento do público. Não tem essa afirmação de imagem que eu tive. Então, isso preocupa, a parte comercial do esporte preocupa bastante. Agora, sobre competição, competitividade, sobre o sucesso da Liga de Futsal, isso eu não tenho dúvida que vai continuar.

 

 

 

 

Mundial de Futsal

 

 

 

 

 

O Brasil vem fazendo grandes jogos. Acho que o Brasil chega no ano que vem candidatíssimo ao título. O Marquinhos vem fazendo um grande trabalho, mas o Mundial cada vez está mais difícil, cada vez tem mais candidatos ao título. O Brasil é uma das seleções candidatas, mas tenho certeza que a perda no último Mundial, esses amistosos que acaba perdendo, tomando um susto, só abre o olho para que as coisas aconteçam da melhor maneira, mas estou bem confiante para o Mundial do ano que vem.

 

 

 

 


Falcão elogiou trabalho de Marquinhos Xavier — Foto: Marcos Dantas

 

 

 

 

Futsal nas Olimpíadas

 

 

 

O futsal não é olímpico porque é um esporte da FIFA. A Copa do Mundo de Futsal é dois ou três meses depois das Olimpíadas. Qual que é o atrativo para a FIFA abrir para o esporte estar nas Olimpíadas três meses antes da Copa do Mundo? Então, teria de ser uma série de interesses, conversar todo mundo, ou a FIFA mudar a Copa do Mundo de data, ou a Olimpíada de mudar, mas nenhum dos dois vão ter interesse de mudar. Então, acredito que o sonho olímpico tanto do futsal quanto do Beach Soccer, que são esportes da FIFA, fica bem mais difícil. Principalmente o futsal por ser no mesmo ano das Olimpíadas, é uma das meninas dos olhos da FIFA e ela não abre mão para que ele seja olímpico.

 

 

(*) Colaborou Pedro Henrique Elias sob supervisão de Danilo Sardinha

 

 

 

 

 

Fonte: Globo.com